Novo e PL selam aliança no Paraná e lançam Deltan Dallagnol e Filipe Barros ao Senado
Deltan Dallagnol foi oficializado neste sábado (1º) candidato ao Senado pelo Paraná pelo Partido Novo (Novo). Às 8h30, a legenda homologou a candidatura em convenção virtual, e às 11h, o ex-coordenador da operação Lava Jato participou da convenção estadual do Partido Liberal (PL), que oficializou Sergio Moro ao governo do Paraná e Filipe Barros ao Senado. Os dois eventos selaram o entendimento entre Novo, PL e Podemos para a disputa majoritária no estado.
Usando uma camiseta com o Powerpoint que apresentou durante a coletiva da primeira denúncia contra Lula na Lava Jato, com os dizeres “Eu prendi o Lula, o STF soltou”, Deltan foi o primeiro dos três candidatos a discursar na convenção do PL, que ocorreu no Espaço Torres, no bairro Jardim Botânico.
Dallagnol tratou a aliança com o PL como “o time da Lava Jato” unido mais uma vez contra a corrupção, falou sobre os abusos do Supremo Tribunal Federal (STF) e contra os desmandos do governo Lula: “Essa é a chapa de quem prendeu o Lula, de quem vai transformar o Paraná em uma fortaleza contra a corrupção e de quem vai levar Justiça para Brasília e para o Brasil”, afirmou Deltan.
O Supremo e a conta dos senadores
No discurso e em entrevistas à imprensa presente no local, Dallagnol também destacou o levantamento interno do STF, revelado pela imprensa nesta semana, que projeta a composição do Senado a partir de 2027 para medir o risco de avanço dos cerca de 100 pedidos de impeachment de ministros parados na Casa.
Segundo o levantamento, a bancada favorável ao impeachment deve alcançar cerca de 40 das 81 cadeiras, com concentração em PL, PP, União Brasil e Novo. “O Supremo passou a semana contando quantos senadores a direita vai eleger, e nós, do Novo e do PL, estamos nessa lista”, disse. “Eles projetaram quarenta senadores eleitos, tudo para medir o risco de andarem os pedidos de impeachment. Se depender de nós, serão mais de 50.”
O candidato defendeu que o instrumento está previsto na Constituição e que a competência para analisá-lo é do Senado. “Não se trata de perseguir ninguém: trata-se de a regra que vale para todo mundo valer também para quem usa toga.”
Investigação do INSS
Dallagnol dedicou parte do discurso ao inquérito autorizado nesta semana pelo ministro André Mendonça, do STF, para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção em contratos com o governo envolvendo Lulinha, o filho do presidente da República, no âmbito do caso do INSS, em que aposentados e pensionistas tiveram mais de R$ 6 bilhões descontados indevidamente.
Ele citou episódios já amplamente noticiados pela imprensa: a substituição do delegado que conduzia o caso e havia pedido a quebra de sigilo de Lulinha; o retorno de mais de cem policiais federais cedidos a outros órgãos; a resistência da cúpula da Polícia Federal (PF) em atender à decisão do relator, com acionamento da Advocacia-Geral da União (AGU); e a tentativa de redistribuição do inquérito, que acabou sorteado de volta ao mesmo ministro.
A convenção teve momentos de forte mobilização da plateia. Deltan abriu a fala conduzindo um grito de guerra, puxando o coro de “Fora Lula, fora Moraes, Paraná Fortaleza”, e, na sequência, ironizou o ministro Alexandre de Moraes, ao mencionar que o grito de guerra do público acordou o ministro em sua casa de R$ 12 milhões comprada à vista, em agosto de 2025, no Lago Sul, em Brasília, por empresa da família do magistrado.
O que a Lava Jato deixou no Paraná
Como credencial, o candidato apresentou os resultados dos acordos da Operação Integração, desdobramento da Lava Jato no Estado. O cartel dos pedágios confessou por escrito e devolveu mais de R$ 1,1 bilhão à sociedade: R$ 570 milhões aplicados na redução de 30% nas tarifas e R$ 515 milhões convertidos em obras rodoviárias, entre elas o Trevo Cataratas, em Cascavel, com dois viadutos e nove quilômetros de pista por onde passam 45 mil veículos por dia, treze terceiras faixas entre Cascavel e Guarapuava, o Viaduto do Sabará, em Ponta Grossa, além de passarela e iluminação no litoral.
“Podem anular um processo, mas ninguém desasfalta uma estrada construída com o dinheiro que a Lava Jato recuperou”, afirmou. “Se a Lava Jato foi uma farsa, alguém precisa explicar como essa farsa devolveu mais de um bilhão de reais ao Paraná.”
Dallagnol foi o deputado federal mais votado do Paraná em 2022 e teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, sem condenação por corrupção, propina ou enriquecimento ilícito. “Não cassaram apenas um mandato: cassaram o voto de quase 345 mil paranaenses. E não foi por corrupção, nem por propina, nem por enriquecimento, foi por vingança”, disse.
O que pretende fazer no Senado
O candidato listou as prioridades do mandato que pleiteia: realizar sabatinas rigorosas, com investigação prévia, para indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao cargo de procurador-geral da República; instalar CPIs que acompanhem o fluxo do dinheiro; fechar brechas que permitem a prescrição de crimes envolvendo pessoas poderosas; e aprovar leis de proteção a policiais, empreendedores e trabalhadores. “Eu não vou ao Senado atrás de foro nem de penduricalho. Vou atrás dos instrumentos que o Senado sempre teve e nunca teve coragem de usar. O Senado sempre teve poder. O que faltou foi coragem para usar.”
Ao encerrar, fez um único pedido à plateia: que cada pessoa presente avise três conhecidos sobre o que está em jogo na eleição. “Diga pra eles o que está em jogo nesta eleição, diga pra eles porque esta é a eleição mais importante das nossas vidas e diga pra eles que existe gente disposta a enfrentar isso. Eles fizeram uma lista com os nossos nomes. Vamos fazer questão de que ela fique bem maior.”
Situação eleitoral
Dallagnol segue elegível e foi escolhido em convenção para disputar o Senado. Em julho, protocolou no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná um Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE), instrumento criado pela Lei Complementar 219/2025, para que a Justiça Eleitoral confirme antecipadamente sua condição.
O pedido sustenta que a decisão do TSE de 2023 indeferiu o registro daquela eleição específica, sem decretar inelegibilidade para pleitos futuros, e que nenhum dos 15 procedimentos disciplinares considerados no julgamento resultou em punição: todos foram arquivados, prescreveram ou não produziram sanção.
O requerimento é acompanhado de pareceres de Adriano Soares da Costa, criador da teoria das inelegibilidades adotada pelos tribunais, e de Luiz Guilherme Marinoni e Ricardo Alexandre da Silva, dois dos maiores processualistas do país.
Sobre as convenções
A convenção do PL foi presidida por Marcelo Urbaneja e reuniu prefeitos, deputados e lideranças dos partidos aliados, entre eles a presidente estadual do Podemos, Lu Bonato, e o deputado federal Felipe Francischini. O evento também marcou o aniversário do senador Sergio Moro, homenageado no palco ao lado da deputada federal Rosangela Moro. Após os discursos de Dallagnol, Barros e Moro, os três participaram de sessão de fotos com o público e atenderam a imprensa.
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